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Grupo Vasconcelos

16.11.2008 > 2009

Ficha do Convento de Santo André, no âmbito da colecção O Museu Em Sua Casa, do Museu Carlos Machado.

O Convento de Santo André

sede do Museu Carlos Machado

A actual sede do Museu Carlos Machado ocupa o edifício do antigo Convento de Santo André onde, durante mais de três séculos, se abrigaram freiras clarissas.

O lugar onde foi erguido possuía um carácter simbiótico, que lhe era conferido quer pela posição de domínio sobre o aglomerado urbano, à época limitado a norte pela actual Rua de S. João, quer pela interrelação que estabelecia com a envolvente agrícola. A estas razões veio associar-se a pré-existência, no local, de uma ermida manuelina, de invocação a Santo André.

A construção iniciou-se em 1567, por vontade de Diogo Vaz Carreiro e de sua mulher Beatriz Rodrigues Camelo, e, em 1585, data da Bula de concessão do Padroado, o convento já se compunha de uma igreja e mosteiro dotado de adro, campanário, dormitório, oficinas e horta. A evolução para a forma característica dos edifícios conventuais, organização espacial em redor do claustro, deve ter ocorrido já no século XVII, ou mesmo no início do século XVIII. Essa progressiva ampliação é confirmada pelos vãos do claustro superior, que datam da primeira metade da centúria de setecentos.

É no século das Luzes que Santo André é objecto de empreitadas consecutivas. Os dois torreões mirantes, elementos que tipificam os conventos femininos micaelenses, o portão do carro cujo tímpano ostenta a data de 1762, bem como o grande dormitório de três pisos que se estende para poente, apresentam a linguagem típica da segunda metade do centúria de setecentos, expressa em motivos decorativos como as conchas, volutas e acantos, e ainda nos arcos joaninos que encimam os vãos daquele dormitório. Também a igreja foi profundamente transfigurada pelo revestimento da caixa mural com a talha dourada ao gosto barroco.

A última grande fase de obras decorrerá já no século XIX e, ao contrário das que se lhe antecederam, incidiu sobretudo na igreja, que, entre 1818 e 1824, foi novamente intervencionada. É sobretudo com a reformulação da fachada norte, expressa na introdução do frontão anteparado por volutas, que a igreja de Santo André regista alterações na lógica compositiva das fachadas do estilo chão, consagrando um processo que se havia iniciado com os três vãos profusamente decorados da empreitada setecentista.

Só após 1930, data em que o edifício foi adquirido pela Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, se voltaram a realizar obras. Essas obras, patrocinadas pelo Estado Novo, que se impunham pela necessidade de adaptação à função museal, nortearam-se pela imposição ao conjunto edificado de uma “pureza estilística” que o mesmo nunca havia patentado. Paralelamente, promoveu-se a sua monumentalização, mecanismo que, à época, tipificava as obras do regime. Esses objectivos justificaram um enorme nível de destruição que, no exterior, implicou a demolição da ermida manuelina, do granel e da cerca conventual, que foi rebaixada e recuada a nascente, sul e poente. No interior as demolições não foram menos drásticas, tendo desaparecido a cozinha, o interior do dormitório novo e o parlatório do torreão poente, e sido introduzidas diversas outras alterações. Na sequência desta empreitada, que decorreu entre 1936 e o final dos anos 40, foram erigidos o pavilhão sudoeste, o pátio do leão, a casa do guarda, hoje biblioteca e secretaria, e os portões, edificações em estilo arquitectónico caricatural dos estilos anteriores.

A classificação do conjunto edificado como imóvel de interesse público, em 1953, veio restringir a possibilidade de se concretizarem mais obras de cunho descaracterizador.

Hoje, o edifício prepara-se para receber obras que o adequarão aos desafios dos museus modernos. O projecto que as enformar terá de assumir uma expressão contemporânea, porque é precisamente na diversidade de estilos arquitectónicos que reside a magia que faz dos nossos monumentos excelentes “contadores” de História.

[IF]

O Museu Em Sua Casa continua :: Online - Janeiro de 2009

 

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